“O esporte é uma grande ‘ferramenta’ para trabalharmos valores e atitudes”
Por Ricardo Melani

Entrevista realizada com Maria Alice Zimmermman, responsável pelos programas e projetos de esporte escolar da secretaria municipal de educação. Zimmermman é professora de educação física da rede municipal de educação há 21 anos; especialista em administração escolar e fisiologia do exercício; e participante do grupo de pesquisa em administração
esportiva da USP.



Qual é a relação entre esporte e educação?


O esporte é uma grande “ferramenta” para trabalharmos valores e atitudes como respeito, companheirismo, disciplina, camaradagem esportiva, respeito ao adversário, à arbitragem, às regras. Outra vivência que o esporte
nos proporciona é a relação entre ganhar e perder, competir respeitando os limites.

Em que medida o esporte pode ajudar no desenvolvimento de uma criança ou de um adolescente?

O esporte colabora no desenvolvimento físico da criança e do jovem, mas também ajuda na concentração, na organização pessoal, a descobrir metas, colabora no desenvolvimento psicológico, proporciona a vivência da derrota, da vitória, da contrariedade, do acatar as regras e, principalmente, colabora com aspectos da persistência, da disciplina, da dedicação, da aceitação, de
conviver com o diferente.

Quando o esporte pode prejudicar?

Quando é orientado para a vitória a qualquer preço. Outro fator prejudicial é quando não há orientação para o respeito aos adversários e às regras. O “técnico/ professor” tem um papel fundamental nesta orientação. Não é
nada fácil perder, mas é preciso estar preparado para isso.

Como o esporte escolar está inserido nas escolas da rede municipal de São Paulo?

Estimulamos a iniciação esportiva em nossas escolas, por meio do Programa de Incentivo ao Esporte Escolar. O professor tem a possibilidade de criar turmas de iniciação nas modalidades esportivas fora do horário das suas aulas de Educação Física e no contraturno do aluno. Dessa maneira
ele orienta e incentiva a prática das modalidades esportivas para os alunos
que queiram vivenciar o esporte.

Durante o ano essas turmas podem participar das Olimpíadas Estudantis, que em 2010 contou com 11 modalidades esportivas (futsal, voleibol, handebol, basquetebol, atletismo, natação, ginástica artística, ginástica rítmica, judô, tênis de campo e tênis de mesa).

Paralelamente, são oferecidos aos professores momentos de formação e atualização nas modalidades esportivas, tanto na arbitragem, como no aspecto pedagógico e metodológico das modalidades. Neste ano abordamos a pessoa com deficiência e o esporte, pois estamos organizando a I Paraolimpíada Estudantil, que ocorre em novembro, com as
modalidades atletismo e tênis de mesa.

Há uma política educacional- esportiva na rede municipal? Quais são seus aspectos principais?

Sim. Há o Programa de Incentivo ao Esporte Escolar. Este programa, como citado anteriormente e respeitando o projeto pedagógico da escola, pode estimular ainda mais a prática orientada do Esporte Escolar na rede.

O Programa está baseado em um tripé

I - Atividades que permitam aos alunos o contato com várias modalidades
esportivas e a oportunidade de escolha da modalidade mais condizente com o perfil de cada um, mediante a iniciação esportiva;

II - Formação continuada dos professores de Educação Física interessados
na atualização do seu conhecimento;

III - Fórum do Esporte Escolar, para aprofundamento de questões voltadas
às diferentes práticas esportivas e discussão sobre o valor do esporte no
contexto escolar.

Com o Programa de Incentivo ao Esporte Escolar estamos vendo que
cada vez mais escolas, professores, gestores e alunos têm aderido à prática
esportiva, o que também favorece a permanência dos alunos por mais tempo nas escolas. Estamos percebendo também que os pais se aproximam do ambiente escolar, acompanhando seus filhos nos jogos, nas competições. Isso é muito importante para o desenvolvimento das crianças.

Qual é a situação dos equipamentos esportivos nas escolas? Todas as escolas da cidade têm quadra? O que ainda é preciso fazer?

Todas as escolas possuem quadras, temos os CEUs com diversos
ambientes, como quadras, campos e piscinas para a prática, aprendizagem
esportiva e desenvolvimento de campeonatos. Além da estrutura física, os materiais esportivos são adquiridos com verba específica destinada às escolas.

Qual é o papel do professor de educação física na disseminação de uma prática esportiva escolar? Que tipo de estímulo esse profissional recebe?

Temos observado que a dedicação e compromisso que nossos professores possuem com as nossas escolas e alunos têm colaborado cada vez mais para melhorar o nível da qualidade esportiva que encontramos nas escolas municipais.

Alguns alunos têm se sobressaído e hoje podemos participar de
campeonatos estaduais, nacionais e até mundial.

O Programa de Incentivo ao Esporte escolar é um estímulo. Hoje o professor pode formar turmas de iniciação esportiva e receber por essas aulas. Para este projeto ser aprovado dessa forma, ele precisa, em primeiro lugar, ser um projeto da escola. O professor terá apoio para desenvolver a prática esportiva na escola.

A participação nas Olimpíadas Estudantis, evento desenvolvido pela Secretaria da Educação e organizado pela FEDEESP, está crescendo a cada ano. Já são mais de 75 mil participantes e 350 escolas envolvidas. O que a Secretaria pretende com essa competição?


Os jogos sempre estiveram presentes nas nossas escolas. Há regiões
onde ocorrem há mais de 19 anos. Entendemos que é muito saudável, pertinente e importante este momento do esporte escolar.

Podemos contar com os diversos benefícios do esporte para a educação:
saúde, participação, inclusão social, cidadania, qualidade de vida.

A ideia de realizar uma Olimpíada Estudantil veio com a possibilidade de
unificar a rede no desenvolvimento do esporte na escola.

Também podemos realizar esses jogos e competições em locais onde nossos alunos vivenciam a cidade. Contamos com parcerias com o SESC, o Clube Escola e os CEUs. Na fase municipal, os estudantes podem jogar, nadar e competir em lugares como a pista de atletismo do Centro Olímpico, a piscina e a quadra do Pacaembu. Isso estimula a apropriação da cidade, dos bairros e de regiões que podem ser frequentadas sem que a escola esteja presente o tempo todo. Isso também é cidadania. Isso desperta
o senso de conservação da cidade.

A realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016 pode trazer que tipo de benefício para o jovem e para o esporte escolar?

Vemos maior estímulo para a descoberta de talentos, mas a escola tem seu
papel muito bem definido: é responsável pela educação formal, ler, escrever, preparar. Concordamos que é nela também que podemos estimular e incentivar a prática esportiva, apresentar várias modalidades, mas precisamos ficar atentos. Precisamos de mais locais para encaminhar
nossos alunos que queiram treinar e possuem talento para tanto.

Não há dúvida que esses dois eventos transformarão muitas coisas por aqui. E com toda certeza vamos colaborar para o fortalecimento não só do esporte, mas da cidadania, do protagonismo, das possibilidades e dos sonhos de muitos alunos.

Vôlei: um caminho para o cidadão
Entrevista de Bernardinho a respeito da sua escola de vôlei.
Por Tiago Machado

“Todos os alunos são incentivados a serem “craques” no esporte e na escola”



De uma coisa todos nós concordamos e sentimos orgulho. O vôlei nacional é reconhecido no mundo inteiro como o mais competente e vitorioso. Imagine agora a união dessa comissão técnica vencedora, em um projeto ambicioso, voltado para os jovens estudantes de escolas particulares do ensino básico brasileiro Nossos jovens estudantes ganhariam muito nas suas vidas e relações sociais, aprendendo valores como disciplina, cooperação, responsabilidade e integração.

A Escola de Vôlei Bernardinho (EVB) pretende oferecer aos estudantes de 7 a 13 anos a oportunidade de praticar o Mini-Vôlei. Para isso, reuniram-se profissionais capacitados, com experiência na formação de atletas e treinadores. A equipe completa conta com o preparador físico José Inácio
Salles, além dos auxiliares técnicos Ricardo Tabach e Hélio Griner.

Com quais propósitos foi formada a Escola de Vôlei Bernardinho?

Com objetivo de facilitar o aprendizado de maneira lúdica através de uma metodologia de ensino e proporcionar condição de sucesso uma vez que as quadras são menores, as bolas são mais leves e macias e as redes mais baixas, atendendo uma faixa etária entre 7 e 13 anos. Assim, incentivamos
a prática do esporte.

Quais são os valores apregoados pela EVB?

Ao longo da história da Escola de Vôlei Bernardinho, tivemos a oportunidade de trabalhar com uma grande diversidade de crianças com distintos comportamentos e diferentes atitudes. Entendendo a importância do aspecto comportamental, desenvolvemos no nosso trabalho valores educacionais, como disciplina, cooperação, responsabilidade e superação. São valores inerentes ao esporte, à sociedade e à formação do ser humano, por isso têm importância especial para as crianças.

Como é desenvolvido o aprendizado do vôlei?


Nossa metodologia preconiza o aprendizado de uma maneira lúdica e dinâmica. As categorias minivôlei, I e II, e 4 x 4 seguem a mesma metodologia de ensino, com cada aula dividida em três momentos:
aquecimento e aperfeiçoamento da técnica individual; desenvolvimento da tática de jogo; e o jogo propriamente dito. Através das sequências de jogo é proporcionado ao aluno maior interatividade, o que se torna fundamental no aprendizado.

Qual é a relação entre o aprendizado dessa modalidade esportiva e a formação geral da criança?

A prática esportiva tem relações diretas e indiretas com a criação de valores de um cidadão. Valores de convivência em grupo e valores pessoais, os quais são mais relacionados com o desenvolvimento pessoal, precisam ser amplamente estimulados para que tenhamos cidadãos capazes de exercer
seus direitos e realizar seus deveres. Percebemos o quanto o esporte pode se transformar em uma poderosa ferramenta de auxílio para formação e desenvolvimento do indivíduo, contribuindo cada vez mais com a sua inserção na sociedade. O vôlei por sua condição de coletividade é a ferramenta utilizada no desenvolvimento da formação geral da criança.

Há alguma relação entre a participação na EVB e desempenho escolar?


Todos os alunos são incentivados a serem “craques” no esporte e na escola. Existe algum vínculo entre esse trabalho de base no vôlei e o esporte de alto rendimento?

No desenvolvimento das aulas alguns alunos se sobressaem. Havendo interesse, eles são encaminhados aos clubes, porém, a Escola de Vôlei Bernardinho não trabalha com essa expectativa. Nossa maior preocupação está relacionada ao aprendizado do vôlei, por meio de um formato dinâmico e lúdico, e à formação do indivíduo.

Como as escolas podem conseguir adquirir os serviços da Escola de Vôlei
Bernardinho?


Basta entrar em contato pelo e-mail:
comercialsp@escoladevoleibolbernadinho. com.br ou pelo fone 4063-1847.

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