A Fedeesp foi criada para impulsionar o esporte escolar

A Federação do Desporto Escolar do Estado de São Paulo foi criada em 2000. Segundo seu fundador e primeiro presidente, Sergio Coraucci Pranchevicius, a entidade foi criada com o propósito de impulsionar
o esporte escolar.

“Estávamos em uma competição universitária nacional em Vitória, Espírito Santo, e alguns professores e árbitros de basquete se reuniram, sob a coordenação do presidente da Confederação, para discutir o esporte escolar brasileiro, tendo como referência o esporte escolar europeu, que era e é muito forte. Nessa reunião, tomamos a decisão de tentarmos fundar, cada
qual em seu Estado de origem, uma federação. Assim foi criada aFederação de São Paulo”, conta Pranchevicius.


Professor de educação física e aficionado do esporte escolar, Pranchevicius, na presidência da entidade, juntamente com os membros da diretoria, teve de enfrentar várias lutas. O primeiro grande problema foi com a estrutura organizativa das competições escolares no Brasil. Em relação à Europa, as categorias brasileiras agrupavam jovens de idades inferiores às dos
estudantes europeus, o que ocasionava desvantagens nas competições. Assim, a federação teve de mexer com toda a estrutura do esporte escolar do Estado de São Paulo e do Brasil: estatutos, regulamentos de jogos, formas de organização etc.


Além disso, nos primeiros anos, a Federação não era reconhecida pela Secretaria Estadual de Educação; e só alunos de escolas particulares participavam dos jogos organizados pela Federação. Depois de muita luta, a partir de 2002, os alunos das escolas públicas começaram a participar
das atividades da Federação, o que significou um passo a mais na organização do esporte escolar do Estado de São Paulo. Esse processo de integração entre os estudantes atendidos pela Secretaria e os atendidos pela Federação ainda é motivo de discussões e ajustes.


Com sua extensa experiência de militância no esporte, Sergio defende a necessidade de uma política geral para o esporte educacional, que englobe os alunos dos ensinos fundamental, médio e superior. Aponta problemas estruturais presentes: “Não há trabalho de base adequado, por falta de apoio do governo, seja na estrutura material – por exemplo, muitas escolas
não têm quadra, nem material esportivo –, ou por falta de incentivo, principalmente ao professor de educação física, que está aos poucos perdendo aulas na grade curricular de ensino”.


Sergio defende ainda que a realização das Olimpíadas no Brasil em 2016 deveria servir para enfrentarmos esses problemas estruturais. Pondera que, se o governo quisesse, poderia implementar um plano que envolvesse a construção de equipamentos esportivos escolares, a distribuição mais ampla de material esportivo para as escolas e principalmente a valorização das aulas de educação física e do papel do professor. “Tem muito professor bom que está deixando a profissão por falta de incentivo e por causa do baixo salário”, conclui. Essa situação contrasta com o potencial do esporte
escolar brasileiro, que é grande, mas depende de políticas públicas adequadas.


A Fedeesp completa 10 anos de existência organizando competições e difundindo o esporte

A Federação do Desporto Escolar do Estado de São Paulo (FEDEESP)
atua há 10 anos no esporte escolar. Hoje ela organiza inúmeros jogos e inúmeras competições no Estado. A principal delas são as Olimpíadas Estudantis, que este ano estão na sua quarta edição. As Olimpíadas Estudantis contam com a participação de aproximadamente 70 mil alunos de 350 escolas da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo, que disputam quatro modalidades coletivas – basquete, futsal, vôlei e handebol e seis modalidades individuais – atletismo, ginástica rítmica, ginástica artística, judô, natação e tênis de mesa. Muitos alunos que se destacam
nos mais de 7 mil jogos desse evento participam de competições estudantis
estaduais e nacionais.


“Precisamos avançar ainda mais e estabelecer relações de parceria com o Governo de São Paulo, para favorecer o esporte escolar”, afirma Luiz Carlos Delphino de Azevedo Jr., presidente da FEDEESP. Delphino refere-se à necessidade de certa integração entre dois sistemas que atualmente
estão dissociados: as Olimpíadas Escolares e as Olimpíadas Estudantis.
As Olimpíadas Escolares são organizadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) e desenvolvidas por cada governo estadual. Em São Paulo, as Olimpíadas Estudantis são organizadas pela FEDEESP, entidade vinculada à Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), que, por sua vez, é vinculada a Federação Internacional de Esporte Escolar. A ideia de Delphino é ampliar a participação dos estudantes. Uma parceria poderia estabelecer relações de participação entre alunos-atletas das duas competições. Além disso, o reconhecimento da COB e do governo estadual em relação às ações da FEDEESP poderia favorecer a organização do esporte escolar no âmbito de todo o Estado de São Paulo. A Federação, assim como faz no município da capital, pode estabelecer parcerias com outros municípios, e desenvolver competições em todo o Estado. O potencial de desenvolvimento é enorme. Para se ter uma ideia, só na Grande São Paulo, há mais de 3.500 escolas particulares.


A Importância Educacional do Esporte

Além da preocupação com a ampliação da prática esportiva, os dirigentes da FEDEESP buscam ressaltar o aspecto educacional dos jogos. “As competições devem atender a princípios educacionais”, pondera Alexandre Traverzim, vice-presidente da federação. Assim como Delphino, Traverzim é professor de educação física, leciona em uma escola particular de ensino médio e na UNIBAN. Ambos estão preocupados
com os objetivos da prática esportiva.


“O sistema COB reproduz o modelo do esporte de alto nível nas ompetições escolares, não há preocupação educacional”, afirma Delphino. Ou seja, as atividades são voltadas para alunos do sistema escolar, mas não primam pela preocupação educacional. O propósito é organizar as competições e selecionar atletas nas várias modalidades esportivas desenvolvidas. Segundo os dirigentes da FEDEESP, uma das preocupações centrais deveria ser a vivência esportiva de todos que participam do evento. Além de competitiva, ela deveria ser lúdica, prazerosa, estimuladora da superação
individual; deveria sobretudo estimular a prática esportiva, como algo que deve fazer parte da vida de todos. “Essa concepção de esporte influencia a forma de organizar e desenvolver as competições escolares; influencia, por exemplo, a forma de aplicação das regras, ou a preocupação com a
segurança dos alunos”, reforça Traverzim.


Isso não significa contrapor o esporte educacional ao esporte competitivo. Para Delphino: “o esporte educacional precisa do esporte de alto rendimento como formador de ídolos, o que estimula a prática esportiva, mas o foco do professor deve ser o desenvolvimento do aluno, independentemente do nível de rendimento esportivo”. Ou seja, como consequência do trabalho esportivo educacional, o indivíduo pode se desenvolver como atleta de alto rendimento, o que é muito positivo e salutar, mas o olhar do professor deve estar voltado a todos.

Outros jogos e outras atividades

Jogos da Liga de Esporte Escolar da Zona Norte. Esse evento, que está em
seu oitavo ano e do qual participam aproximadamente 2 mil atletas, representando 40 escolas particulares do ensino básico, é uma espécie de
modelo de jogos regionais, que a Federação quer implantar em toda a cidade de São Paulo.


Além disso, este ano a Federação organizará os campeonatos brasileiro e estadual de Basquete Escolar, o estadual de Futebol de Campo, a seletiva que vale vaga para o I Panamericano Escolar e a seletiva nacional que vale vaga para o Mundial de Judô.



FEDEESP
Avenida Baruel, 316 Casa Verde, São Paulo - SP
Telefone: (11) 2925-0440
Fax: (11) 4081-8723
www.esporteescolar.org.br

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