Cuidados com a alimentação
O BRASIL É O SEGUNDO MAIOR CONSUMIDOR MUNDIAL DE AGROTÓXICOS.

É sabido que a saúde começa pela boa alimentação.
Em certa medida, somos o que comemos. A alimentação adequada não só possibilita um equilíbrio ao nosso organismo, propiciando as fontes diárias
necessárias de energia e de complementos, como “desperta” nossas defesas contra as doenças. Mas, quando há a utilização indiscriminada de agrotóxicos, o alimento não é saudável e as doenças são fortalecidas.
No Brasil, em apenas cinco anos, entre 2002 e 2007, o faturamento líquido do setor de agrotóxico passou de US$ 1,9 bilhão a US$ 5,4 bilhões.* O crescimento continua e nossa saúde é cada vez mais ameaçada.
Em 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, indicou que 45% das amostras de tomate, 43% das de morango e 40% das de alface apresentaram índices insatisfatórios.
Precisamos tomar cuidado com o que ingerimos. A contaminação dos alimentos com agrotóxicos pode causar, entre outras coisas, alteração no sistema nervoso, náusea, confusão, dor de cabeça; e, em longo prazo, pode provocar câncer e máformação fetal.
A liminar obtida na Justiça pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag) só piorou a situação. A liminar interrompeu a reavaliação de nove substâncias, de 14 programadas para o ano de 2008 pela Anvisa. Entre elas, há agrotóxicos que estão proibidos em países europeus. Por exemplo, o Endossulfam pode provocar intoxicidade aguda e câncer. O uso desse inseticida é recorrente no cultivo do cacau, do café, da
cana-de-açúcar, da soja e do algodão. Outro exemplo é o Parationa Metílica, causador de distúrbios no sistema nervoso, foi o quarto inseticida mais usado no país no cultivo do algodão, do alho, da batata, da cebola, do milho,
da soja e do trigo.

A SITUAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAIS

Existe também a contaminação direta de quem manipula ou está em torno
da manipulação desses produtos tóxicos. Os casos de contaminação e de intoxicação de trabalhadores rurais têm aumentado anual mente, incluindo mulheres e crianças. São inúmeros os fatores que contribuem para isso: o aumento da utilização de inseticidas, a forma irresponsável de sua
utilização, a falta de orientação adequada, a falta de informação e de treinamento dos agricultores. Não é possível boa qualidade de vida sem alimentos saudáveis. O primeiro passo para reverter essa situação é a informação. O brasileiro deve saber o que come. Deve saber por quais processos o alimento passou antes de chegar à sua mesa. Uma sociedade informada pode decidir sobre a melhor política agrícola, alimentar e ambiental. Pode optar pela saúde.

 

* Esses e os próximos dados foram retirados do artigo Os agrotóxicos e
a força das multinacionais, de Bruno Milanez e et alii. In: Le Monde Diplomatique Brasil – Set. 2008.

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