COPA DE 58 - O nascimento do futebol arte
HÁ 50 ANOS, LEVANTAMOS A TAÇA JULES RIMET PELA PRIMEIRA VEZ, NA SUÉCIA.

Vinte e nove de junho de 1958, esta é a data de nascimento do futebol arte e da vitória do Brasil na Copa do Mundo disputada na Suécia. Foi nesse momento que o mundo começou a conhecer a diabruras de Garrincha, o arsenal de jogadas de Nilton Santos, as “folhas secas” de Didi e os lances majestosos de Pelé. Foi lá na Suécia, há 50 anos, que o mundo começou a se curvar diante da plasticidade dos movimentos, dos dribles e das jogadas feitas ao acaso da habilidade e da destreza motora dos jogadores brasileiros. Foi lá que a ginga assumiu status de poesia, criando versos e zombando da mais alta valentia. Foi nos gramados da Suécia, essa terra de gente séria, que se sorriu pela primeira vez com a insensatez
triunfante do escrete nacional. No campo, o time brasileiro pintou um quadro
com cores e formas nunca vistas e decretou a união entre o futebol e a arte.
A arte e o futebol brasileiro então viviam sob o teto do amadorismo. Esse
rendeiro, que soube conhecer como ninguém seus locatários, abrigou o casal e deu longa vida a ele. Menos do que queríamos, mas o suficiente para que fizesse de nós orgulhosos admiradores e felizes contadores de histórias. Aliás, conta-se a história que, na véspera da final, o roupeiro da nossa seleção, saiu para comprar camisas azuis, pois a delegação não havia levado o segundo uniforme. Durante a noite e a madrugada, ele teve de despregar os distintivos da CBF das camisas amarelas e pregá-los
nas azuis. Teria sido assim: de camisa azul sem as tradicionais golas brancas e com emblema costurado na véspera que o reinado do futebol brasileiro começou.
Ao longo de aproximadamente vinte anos, o casal viveu feliz. Ninguém podia
imaginar um sem o outro. Nas Copas de 62 e de 70, o amor e a paixão estavam em cada gesto dos parceiros. “O futebol brasileiro e a arte são um só”, diziam. Mas com a morte do amadorismo, o casal teve de se mudar. Não se sabe bem o porquê, mas o fato é que o amor acabou e as brigas se tornaram corriqueiras. Separações e aproximações foram recorrentes.
Houve juras amorosas. Em 82, quase tiveram mais um filho. Apesar de
tanta ternura, não conseguiram. O futebol brasileiro continuou a participar
das competições. Ganhou a Copa de 1994 e a de 2002. Tornou-se pentacampeão mundial, mas venceu sozinho.
A arte não participou dessas conquistas. Cansada das brigas, ela se mudou, também transformada pelo profissionalismo.
O futebol não é o mesmo, a arte não é a mesma, que o casal fique na memória. Em 2004, a camisa 10, de Pelé, usada na final da Copa da Suécia, aquela que teria sido comprada por uma bagatela na véspera, com o símbolo da CBF pregado de improviso, aquela usada pelo meninorei,
autor de dois gols nessa partida, foi arrematada em um leilão por 105.600
dólares. Talvez o comprador quisesse sentir o cheiro ou ter nas mãos a veste de um personagem que se perdeu.

Anos depois de seu maior fracasso, a redenção da seleção brasileira

Quando o apito encerrando a partida final entre Brasil e Uruguai na Copa de 1950 foi dado, o silêncio mais desolador e duradouro da história do futebol brasileiro se estabeleceu. Um silêncio que durante anos permaneceu nos corações dos brasileiros. Perdemos em casa a mais ganha de todas as copas. O inacreditável aconteceu. Do Maracanã para todos os rincões do país, a tristeza pela derrota propagou-se como uma onda que foi tomando
conta do espírito brasileiro.
O sentimento de fracasso só pôde ser superado oito anos depois, na Suécia. Na Copa do Mundo de 1958, sob o comando do técnico Vicente Feola, levantamos a taça Jules Rimet, pela primeira vez – taça que viria a ser ganha definitivamente doze anos depois com a conquista do tricampeonato mundial, em 1970.
Os jogadores titulares dessa conquista história foram: o goleiro Gilmar dos
Santos Neves, Djalma Santos, Hideraldo Luiz Bellini, Orlando Peçanha de Carvalho, Nilton Santos, José Ely Nirando (Zito), Manuel Francisco dos Santos (Garrincha), Valdir Pereira (Didi), Edvaldo Izídio Neto (Vavá), Edison Arantes do Nascimento (Pelé), e Mario Jorge Lobo Zagallo.

OS JOGOS

Na primeira fase, o Brasil ganhou da Áustria por 3x0; empatou com a Inglaterra em 0x0; e ganhou da União Soviética por 2x0. Nessa última partida, a nossa seleção já demonstrou que era uma forte candidata a ganhar o título. Nas quartas-de-final, jogando no ataque – Gilmar não fez praticamente defesa alguma -, o time canarinho passou pelo País de Gales, ganhando a partida por 1x0. Na semifinal, veio a França. Veio e foi embora. Encontrou pela frente Pelé em dia inspirado. O rei fez três gols. O Brasil ganhou por 5x2 e foi para a final. Na final, aos 4 minutos do primeiro tempo, a Suécia abriu o placar. O fracasso do Maracanã se repetiria? Que nada! Cinco minutos depois, Vavá recebeu um cruzamento de Garrincha e fez o gol de empate. Ainda no primeiro tempo, novamente Vavá pôs a bola no fundo das redes. O Brasil virou.
No segundo tempo, a nossa seleção foi ampliando a vitória. Aos 10 minutos,
Pelé deu um chapéu no zagueiro sueco e marcou o terceiro gol brasileiro.
Aos 23 minutos, Zagallo marcou o quarto, do bico da pequena área.
Aos 35, a Suécia diminuiu, Simonsson fez o segundo gol de seu time.
E no último minuto do jogo, Nilton Santos cruzou na área de ataque brasileiro e Pelé de cabeça decretou números finais à partida: Brasil 5x2 Suécia.
Ganhamos a Copa do Mundo!

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