As Olimpíadas invisíveis

Nosso fotógrafo, Davi Francisco da Silva, flagrou, no mesmo dia e horário em que o nadador Cielo desfilava pelas ruas de São Paulo, comemorando
a conquista de sua medalha de ouro em Pequim, crianças e jovens moradores de rua nadando no tanque utilizado para prática de náutico
modelismo, ao lado do Parque do Ibirapuera. A cena põe a nu a existência de uma outra realidade competitiva, uma espécie de olimpíadas invisíveis, que acontecem no dia-a-dia de um setor da juventude excluído das mínimas condições dignas de vida. A disputa é pela sobrevivência e por um pouco de alegria.
No Brasil, há 51 milhões de jovens. Desse contingente, 46% estão desempregados; e mais da metade dos ocupados, entre 18 e 24 anos, não tem seu trabalho registrado em carteira. Mais de 30% dos jovens apresentam renda domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo. Entre os jovens na faixa dos 15 e 17 anos, apenas 48% estão matriculados
no ensino médio. O percentual de evasão escolar chega a 66% na faixa etária dos 18 a 24 anos. Há ainda a dificuldade da violência, responsável por 38% das mortes de jovens. Investir na juventude é acabar com a exclusão social, promovendo acesso à saúde, à educação, à moradia, à alimentação e também ao esporte. Se isso fosse feito, talvez um dia, saíssemos dessas olimpíadas.

 

*Dados retirados de estudo organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

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