A gente não quer só comida
ORÇAMENTO MUNICIPAL PARA AS ÁREAS DE CULTURA E ESPORTE É IRRISSÓRIO.

Oorçamento municipal de São Paulo para as àreas de cultura e de esporte é escasso e mal distribuído. Ele é escasso: apenas 1,7% e 0,6% do orçamento total do município é utilizado respectivamente para a cultura e para o esporte. Ele é mal distribuído: os investimentos acabam se concentrando em atividades e eventos realizados em equipamentos que, na sua maioria, não estão localizados nas regiões pobres da cidade.
Para se ter uma idéia, 14 das 31 subprefeituras não têm casas de cultura ou cinema. Por esse motivo, muita das manifestações culturais financiadas com dinheiro público, por meio de leis de incentivo à cultura, que permitem
que patrocinadores debitem de taxas municipais parte do patrocínio, não chegam à periferia. Segundo dados do Observatório do Cidadão (www.nossasaopaulo.org.br/observatorio), há 103 teatros na região da Subprefeitura da Sé, enquanto as regiões da Capela do Socorro, Casa
Verde/Cachoerinha, Cidade Ademar, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Freguesia/ Brasilândia, Guaianases, Itaim Paulista, M’Boi Mirim, Parelheiros, Perus, Pirituba, São Mateus, São Miguel e Vila Prudente/Sapopemba
não têm nenhum. A mesma concentração acontece com os cinemas. Dos 262 cinemas existentes na cidade de São Paulo, 54 estão na Sé; 36, em Santo Amaro; e 35, em Pinheiros. Não há cinemas em várias regiões como Cachoeirinha, Cidade Ademar, Cidade Tiradentes e São Miguel.

EQUIPAMENTOS PÚBLICOS

Em relação à localização dos equipamentos públicos, persiste a concentração. Dos 171 equipamentos culturais disponíveis, 62 estão na Sé e 23, no Butantã. Casa Verde, Ermelino Matarazzo, Jaçanã, Parelheiros e Vila Maria têm zero. Muitas regiões da periferia também não têm equipamentos
esportivos públicos, como é o caso de Capela do Socorro, Cidade Ademar, Perus e M’Boi Mirim. Grande parte da juventude e da população de São Paulo não tem muitas possibilidades de lazer, entretenimento, cultura e
esportes. O acesso a esses bens é caro. A política esportiva e cultural
na maior cidade do Brasil ainda é restritiva e seletiva. A vida não é só comer e trabalhar. Todos precisam de arte, movimento, diversão e alegria.

 

IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

PÁGINA INICIAL