Realizadas com sucesso a 3a e a 4a etapas da competição de atletismo da LUPAA
SEM APOIO PRIVADO E PÚBLICO, O ATLETISMO UNIVERSITÁRIO VIVE DE
INICIATIVAS INDIVIDUAIS.

Em uma noite fria de agosto, aproximadamente 250 atletas participaram da 3a Etapa da competição organizada pela Liga Universitária Paulista de Atletismo Amador, que se realizou na pista do Conjunto Esportivo do Ibirapuera, em São Paulo. A animação dos participantes e a abnegação ao esporte contrastaram com a falta de incentivo público e privado ao evento.
“Eu adoro esporte; eu adoro atletismo”, afirmou Luciana Dutra de Oliveira,
22 anos, aluna de Direito da PUC-SP, para justificar sua participação
na competição. Luciana participou das provas de salto em distância,
de corrida (100 metros) e de arremesso de peso. Realmente é preciso gostar muito de praticar esporte, para enfrentar a falta de apoio. Os treinos
de preparação são uma atividade extra, além do trabalho e do estudo.
Em alguns momentos os atletas-estudantes abdicam de lazer e de festas,
para treinar e competir. Muitas vezes, eles têm de pagar do próprio bolso para participar de uma competição. “Eu sempre gostei de atletismo e prático
desde os meus 9 anos”, disse Thais Yamaguti, aluna da Faculdade de Farmácia da USP, 21 anos, que participou das provas de corrida (100 metros) e de lançamento de disco. Thais também falou das dificuldades que enfrenta: “A pista de atletismo da USP, onde treino, não está em boas condições e há falta de divulgação das competições de atletismo.
No caso da minha modalidade esportiva, há outra dificuldade: poucas mulherespraticam o lançamento de disco.”A 4a Etapa, última deste ano, realizouse na noite anterior ao dia do segundoturno das eleições municipais, 26/10. Mesmo assim, a competição contou com a participação de um número expressivo de atletas. A FEA-USP manteve a tradição e venceu no masculino e no feminino. A IME-USP também teve um ótimo desempenho nesta etapa e mostrou que tem tudo para entrar na disputa
das primeiras colocações na temporada de 2009.

A LUTA PELO DESENVOLVIMENTO DO ESPORTE

Organizada pela Associação Esportiva de Atletismo Red Fox Runners, a
Liga Universitária Paulista de Atletismo Amador (LUPAA) desenvolve todo ano, desde sua criação, em 2004, uma competição dividida em 4 etapas, duas em cada semestre. Apesar da participação crescente de estudantes - já houve etapas com a presença de 20 universidades -, sabe qual é o apoio que a Liga recebe? Zero. Nada. Não há apoio nem público nem privado. Mesmo assim, pela abnegação de alguns, o evento se mantém só por meio da taxa de inscrição dos atletas. A qualidade técnica está aumentando de edição para edição. “A competição vem melhorando bastante.
No primeiro ano cheguei a pôr dinheiro do próprio bolso, para realizá-la; neste, as contas devem se equilibrar”, disse Ricardo Cotrim Chaccur, 30 anos, fundador da LUPAA e o grande responsável pela existência do evento.
Com sua experiência como atleta do Mackenzie, treinador de atletismo e dirigente esportivo, Ricardo pode falar com propriedade sobre as dificuldades do esporte: “A falta de incentivo, a de patrocínio e a de divulgação são os principais problemas do esporte e do atletismo universitários”.Além disso, há também problemas na infraestrutura para a prática esportiva. São Paulo, economicamente a principal cidade do país, quase não dispõe equipamentos adequados à prática de atletismo. “A única pista descente para se treinar e competir em São Paulo é a do Ibirapuera”, confirma Ricardo. Isso acarreta concentração de treinos e competições no mesmo espaço físico.

DESPERDÍCIO DE TALENTOS


O resultado da delegação brasileira nas Olimpíadas em Pequim aquém do que se esperava denuncia a realidade precária de organização do esporte em geral e do esporte universitário no Brasil. O técnico de atletismo universitário da Atlética 22 de Agosto da PUC-SP José Renilson Benigno afirma que no Brasil se faz o caminho inverso do de países olimpicamente vitoriosos: “Eles investem na formação do atleta na base e têm como ápice do desempenho do indivíduo o período universitário. No Brasil acontece o
contrário. O auge do desempenho do atleta acontece na fase do colegial. Nós, então, temos atletas campeões mundiais em competições juvenis, que se perdem quando chegam à universidade, por falta de uma estrutura esportiva adequada.” Segundo Benigno, há um trabalho bem-realizado nas escolas do ensino fundamental e médio, que se perde no ensino de terceiro grau. “O atleta universitário acaba sendo quase um herói que tem de dividir seu tempo entre trabalho, ensino e treinos; e tem de abdicar de muita coisa.” Ao contrário do que acontece em países como os EUA, nos quais o atleta tem sua vida resolvida na universidade (treino, sustento e estudo) e pode se dedicar profundamente ao seu aprimoramento esportivo.

Classificação geral das quatro etapas

1ºFEA - USP
2ºMedicina Sta Casa
3ºMedicina USP
4ºIME - USP
5ºMedicina Santos
6ºOdonto - USP
7ºDireito - USP
8ºPoli - USP
9ºMedicina Paulista
10ºDireito - PUC
11ºFarma - USP
12ºQuímica - USP
13ºUnicamp
14ºEEFE - USP
15ºDireito - Mack
16ºEngenharia - Mack
17ºEd. Física - FMU
18ºEnfermagem - USP
19ºECA - USP
20ºFFLCH- USP
20ºEconomia - Mack
21ºMed - USP Ribeirão
22ºComunicação e
23ºArtes - Mack
24ºBiologia - USP
25ºTecnologia - Mack
26ºNutrição - USP
26ºFísica - USP
27ºMedicina Unesp

IR PARA O SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

PÁGINA INICIAL