JUCA leva mais de 7 mil estudantes para Guaratinguetá
COMPETIÇÕES, FESTAS, AMIZADES E ALGUMAS DESAVENÇAS
ROLARAM NA CIDADE QUE ABRIGOU OS XV JOGOS
UNIVERSITÁRIOS DE COMUNICAÇÃO E ARTE
Por Victor Souza

A galera trouxe alegria para a cidade e agitou o comércio.

Entre os dias 22 e 24 de maio, foi realizada a 15ª edição dos Jogos Universitários de Comunicação e Arte (JUCA), na cidade de Guaratinguetá, em São Paulo. Mais uma vez, o Mackenzie levou o título de campeão geral da competição. Das 15 modalidades em disputa, sua delegação ganhou sete medalhas de ouro e três de prata. Agora o Mackenzie tem doze títulos gerais e estabeleceu uma ampla hegemonia na competição. A classificação final ficou da seguinte maneira: 1º Mackenzie, 2º ECA-USP, 3º Metodista, 4º Casper Líbero, 5º Belas Artes, 6º PUC-SP, 7º FAAP, 8º PUCCAMP.
A universidade presbiteriana, segue a tradição norte-americana, tem um programa de bolsa de estudo para atletas. Assim, pode contar com inúmeros atletas de ponta e, com certa facilidade, vencer a maioria das provas.
Essa prática recebeu críticas. “O esporte universitário é para aqueles que não são profissionais... acho legal fazermos o melhor possível com o que temos, sem buscar atletas em outras ligas”, disse Daniel Véras, técnico campeão do Handebol Masculino pela Cásper Líbero.
Já para Thiago Botana, que organiza os jogos e, além disso, é membro da Atlética de Comunicação da PUC-SP e da Liga Atlética Acadêmica de Comunicação e Artes, o problema é estrutural: “O que as faculdades do Brasil não têm é incentivo ao esporte. Assim como não há também incentivo à prática esportiva no ensino básico e fundamental.” Botana afirma que a única coisa que explica a participação da maioria nos jogos é o amor ao esporte e à entidade à qual cada um pertence: “A maioria das pessoas joga porque realmente gosta. Tem amor pela sua faculdade. Treinar de madrugada, tirar dinheiro do bolso, contratar técnico, alugar campo... é tudo muito difícil!”
Mas, todo esse esforço sem apoio acaba sendo recompensado quando o resultado é positivo. “A vitória é o resultado do esforço de um ano inteiro”, comenta Botana. Por isso, não faltou garra nas disputas. Mesmo nas partidas em que havia disparidade técnica, o time mais fraco não se deu facilmente por vencido. Os competidores conseguiam equilibrar os jogos na base da vontade, e as partidas muitas vezes tornavam-se emocionantes.
Isso aconteceu na final de futebol de campo, na partida entre PUC-SP e a Metodista, que foi disputada sob o forte sol de Guaratinguetá, no horário indigesto das 11h30. Era notável o cansaço físico dos atletas, muitos dos quais sentiam dores musculares e tinham cãimbras. A partida só foi decidida no final, com um gol do time da PUC-SP.

Torcida faz a festa dos jogos

O nível técnico pode não ser dos mais elevados, mas o JUCA atrai muita gente. Entre atletas e torcida, mais de 7 mil estudantes estiveram em Guaratinguetá. O que tornou as partidas emocionantes. Cada jogo era uma festa.
Das arquibancadas lotadas, os estudantes das universidades empurravam seus times. Para animar os atletas, usavam batucadas, músicas, gritos de incentivo, piadinhas e provocações bem-humoradas. Cada torcida pareceu empenhada em estabelecer uma identidade por meio de cores, coreografias, mascotes, músicas, fumaças e sinalizadores.
“Não lido com atletas profissionais, mas com a arquibancada cheia, ninguém quer fazer feio”, comentou Daniel Véras, referindo-se à empolgação que as torcidas provocaram em seu time.
Com tanta gente jovem e feliz, as festas rolaram durante os Jogos. Muitos encontros, reuniões, confraternizações, amizades, namoros e sobretudo alegria andaram soltos nos dias do evento. Alguns técnicos chegaram a se preocupar em relação à conciliação entre as festas e os jogos. Mas, com raras exceções, os atletas-estudantes demonstraram que responsabilidade e alegria não são incompatíveis.
Outro aspecto interessante que ocorreu durante os dias do evento esportivo foi o intercâmbio cultural entre os moradores e os universitários. Não era difícil ver moradores locais abrindo a porta de suas casas e oferecendo banho e refeição para atletas e torcedores a preços populares.

A disputa da final de futebol de campo aconteceu sob forte sol

Um ano de organização

Toda essa festa e disputa que se realiza em poucos dias é organizada pela Liga Atlética e Acadêmica de Comunicaçãoe Artes com muita antecedência e com muito esforço. As reuniões de preparação do evento são semanais e duram um ano inteiro.
“A parte mais complicada desse processo e a que mais demora é a negociação com a prefeitura.”, afirmou Botana.
Depois de se chegar a um acordo, a relação entre a Liga e a cidade-sede é quase sempre uma relação saudável. Um exemplo disso é a cidade de Registro, que sediou os Jogos de 2006. No ano seguinte, a prefeitura insistiu para que o evento se realizasse novamente na cidade.
O assessor de imprensa da prefeitura de Guaratinguetá, José Expedito, reforça a importância de sediar esses jogos universitários: “Existe uma grande injeção de dinheiro no comércio da cidade... ”Além da injeção de dinheiro dos visitantes, a Liga tem de doar dinheiro ou realizar alguma reforma para a Secretaria de Esportes ou de Turismo da cidade-sede.

Como funciona o JUCA

São oito faculdades disputando o título. A pontuação final é definida pela somatória de pontos adquirida em cada modalidade. São oito esportes, totalizando 15 modalidades: basquete, vôlei, futsal, handebol, natação, tênis de mesa, nas modalidades masculina e feminina; e futebol de campo, apenas na modalidade masculina. Com exceção da natação, a disputa é feita por meio de sistema mata-mata – o que aumenta ainda mais a emoção. A universidade que fica em último lugar é rebaixada e tem de disputar o Pré-JUCA, jogos que antecedem o evento principal.

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