InterUSP 2008 faz cidade tremer de alegria
COMPETIÇÃO QUE MOBILIZOU 4 MIL ESTUDANTES DA USP MUDA ROTINA DE BOTUCATU
Por Leandro Rocha e Clarissa Athayde

Bandeiras coloridas, estudantes uniformizados, gente jovem, baladas e muita competição, foi nesse clima que aconteceu, de 22 a 25 de maio, o InterUSP 2008, na cidade de Botucatu, estado de São Paulo. Considerados os jogos universitários de maior nível técnico, o evento, que chegou a sua 24ª edição, reuniu mais de 4 mil estudantes de oito faculdades da Universidade de São Paulo (USP).
Alunos das faculdades Poli-Engenharia, Direito (São Francisco), Medicina (Ribeirão Preto), Medicina (Pinheiros), ESALQ – Agronomia, além de Odontologia, Farmácia e FEA enfrentaram-se em 16 modalidades esportivas. As competições fizeram as torcidas lotarem as arquibancadas. Nos ginásios não faltaram bandeiras, sinalizadores luminosos com fumaça intensa e gritos de guerra.
Confirmando seu favoritismo, a Poli-Engenharia sagrou-se a campeã geral, seguida pela FEA e pela Medicina Pinheiros. A disputa foi muito acirrada durante os jogos, principalmente em algumas modalidades, como, por exemplo, o handebol, o voleibol e o futsal masculino. Os confrontos evidenciaram muita garra e boa técnica dos atletas, o que, por sua vez, pressupõe muito treino e muita dedicação.
João Moro, que disputava basquete pela São Francisco, explica que algumas faculdades, como a Medicina, por exemplo, “treinam até quatro vezes por semana em todas as modalidades e quando se aproxima o InterUSP, esse ritmo aumenta”. Ele acredita que, pelo nível técnico, o InterUSP pode ser considerado as Olimpíadas do circuito universitário.
Já Clarissa Yebra, aluna da Poli, que participou da competição na modalidade handebol declarou que há times bons e ruins na competição. “A modalidade de maior nível técnico é o handebol masculino”, afirmou. Mas, segundo ela, há algo em comum entre os atletas: “Todos treinam duro, pelo menos três vezes por semana.

Jogo sim, mas festa também

Mas o InterUSP 2008 não foi composto só por jogos e treinos. Uma programação especial de festas atendeu a todos os gostos. Dentre as atrações, o grupo Ultraje a Rigor, liderado pelo cantor Roger, animou os jovens com grandes sucessos da carreira. Os jogos costumam ser levados a sério, mas também tem muita gente que participa do evento para fazer parte das torcidas e participar das festas.
Os estudantes do 4º ano do curso de agronomia da ESALQ, Henrique Damato, Pedro Bachi, Leandro Miranda, Bruno Junqueira e Bruno Carvalho, desfilaram pelos arredores do Colégio La Salle - uma das sedes dos jogos -, vestidos com roupas e perucas femininas. Apesar de terem disputado algumas modalidades, eles preferem pensar mais na badalação.
“Viemos de Piracicaba para jogar bem, mas jogamos mal”, brinca Damato, e acrescenta: “Mas não tem problema, porque todo mundo esquece quando chega a noite e tem festa”. Em relação à rivalidade entre as torcidas, Miranda explica que é uma disputa sadia. “Um dos destaques do InterUSP são as torcidas e suas baterias. O pessoal vem fantasiado, traz fogos, grita, canta, xinga... tudo faz parte”, afirma.
Há os que externam alegria e paixão pela faculdade, pintando-se com as cores da sua entidade. É o caso de Caio Tanaka Rufato, estudante de engenharia civil, que pintou seu rosto e seu cabelo de amarelo e azul, cores da Associação Atlética Acadêmica Politécnica.
As alunas de Farmácia, Raissa Zilse e Mayara Ramos foram para jogar futsal, handebol e vôlei, mas também se sentiram atraídas pela animação das festas. A vontade de participar dos jogos em Botucatu não impediu que Mayara comprasse antecipadamente um pacote, que incluía, além do InterUSP, a Copa Farma, seis festas, alojamento, transporte e uma caneca. “Com certeza será o primeiro de muitos”, diz Mayara.

Nos bastidores dos jogos

Embora o evento tenha a duração de poucos dias, a preparação começa com antecedência média de um ano, como conta Pedro Gaspar, estudante de contabilidade: “Fazemos reuniões meses antes do InterUSP quando são discutidas diversas questões, dentre elas segurança, alojamento etc”. Dessas reuniões de organização, participam representantes de cada atlética, e cada um é nomeado para um cargo, assumindo determinadas responsabilidades.
Além disso, há a preocupação com o bom desenvolvimento da própria competição, que deve ser rigorosamente organizada, como conta Daniel Kamura Bueno, estudante de Medicina: “O InterUSP já se tornou um evento tradicional, e quem ajuda a organizar, como é o meu caso, tem a responsabilidade de fazer com que as competições ocorram da melhor forma possível.” Por exemplo, “para evitar qualquer tipo de dúvida quanto aos resultados dos jogos, a atlética à qual o universitário/mesário pertence não pode estar em jogo”, explica.
Mesmo sem o apoio da Prefeitura Municipal de Botucatu, foi possível a realização da InterUSP 2008, porque a organização do evento firmou parcerias e alojou os participantes dos jogos em escolas, hotéis e instituições que cederam espaço. “Recorremos aos empresários e clubes da cidade, que nos receberam bem. Acho que foi bom também para a cidade... houve um retorno financeiro para Botucatu”, afirmou Saul Almeida da Silva, aluno de Medicina e secretário geral da competição.
Durante os quatro dias de competição, os estudantes injetaram na economia de Botucatu aproximadamente R$ 1 milhão. Estima-se que cada participante tenha deixado no município cerca de R$300. Durante o dia, era possível ver restaurantes lotados e, à noite, era a vez das casas noturnas se tornarem o ponto de encontro dos universitários esportistas.

Fugindo do tradicional

Poucos são os que conhecem ou têm a oportunidade de conferir de perto disputas de rugby, basebol ou softbol, por exemplo. O InterUSP proporcionou isso à população de Botucatu e aos alunos torcedores.
No clube Kaikan, situado na zona rural de Botucatu, foram realizadas as competições de basebol e softbol – que se joga da mesma maneira, mudando apenas algumas regras e é voltado somente às mulheres. Willian Aoyagui, da Poli-Engenharia, disse que o nível técnico da modalidade tem melhorado nos últimos anos, já que vem aumentando o interesse pelo jogo, com o qual muitos só têm contato pelos filmes. “Temos contato com técnicos novos e de muita qualidade, mas geralmente as faculdades que têm mais alunos são as que apresentam o melhor desempenho”, observa.
Miriam Koh, atleta de softbol da FEA, contou que em outras edições dos jogos a primeira fase sempre foi a mais “morna”. Porém, neste ano foi diferente. “Foi uma partida emocionante, decidida nas penalidades. O nível desta vez está alto. Treinamos pelo menos duas vezes por semana”, revelou.

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