“O Esporte é tudo”
EX-ATLETA UNIVERSITÁRIO BUSCA ÍNDICE PARA PARTICIPAR DAS OLIMPÍADAS DE PEQUIM
Entrevista de Luis Agripino - Por Ricardo Melani

Luis Agripino no Ibirapuera, onde treina intensamente.

Luis Agripino, 31 anos, atleta de salto em distância do Clube Pindamonhangaba, que busca índice para participar das Olimpíadas de Pequim e que já foi campeão universitário, recebeu a equipe da Unesporte em seu atual local de trabalho, o Conjunto Constâncio Vaz Guimarães – Ibirapuera, em São Paulo, onde treina intensivamente, para falar sobre esporte universitário, sobre seus treinamentos e sobre as próprias olimpíadas.

Unesporte - Como foi o seu primeiro contato com o esporte e como você acabou se tornando um atleta de ponta?
Agripino – Eu jogava vôlei no colégio. Fui me destacando nesse esporte. Joguei no Lupo, em um clube em Limeira, joguei em Piracicaba. Um técnico de atletismo me observou e me convidou para praticar atletismo. Com o tempo, eu fui gostando dessa modalidade esportiva.

No atletismo, a primeira modalidade que você praticou foi o salto em distância?
Não, primeiro eu fiz salto em altura. Com dezessete anos, eu saltei 2,05 m. Depois, eu pratiquei 400 m com barreira e 400 m rasos. Passei nas mãos de vários técnicos e andei por várias provas, até me fixar no salto em distância e na prova dos 200 m.

Qual foi sua vivência com o esporte universitário e qual a importância dessa prática em seu desenvolvimento esportivo?
Foi muito importante. Eu venho de uma família pobre. Perdi minha mãe com 2 anos de idade, e meu pai, com 6 anos. Não entendia muita coisa, e não sabia da dimensão que o esporte pode ter na vida de uma pessoa. Mas, como eu me destaquei na prática esportiva, recebi uma proposta de bolsa de estudo em São Paulo, pela Faculdade Integrada de Ribeirão Pires. Em 2005, fui campeão universitário em salto em distância. Esses anos na faculdade me fortaleceram como pessoa e como atleta. Pude me formar profissional de educação física por causa da bolsa.

O esporte un versitário brasileiro ainda é muito frágil. O que é possível fazer para melhorá-lo?
Acho que é necessária, em primeiro lugar, uma divulgação das atividades esportivas universitárias em todas as instituições de ensino superior. Além disso, as atléticas e organizações de ensino devem ter políticas de organização e de participação de seus alunos nos jogos universitários.

Você, além de ser atleta, também é professor de educação física. Qual é a relação entre esporte e educação?
O esporte é tudo. Quem pratica esporte com disciplina passa a ter uma vida regrada, desenvolve autoconfiança, respeito, amor ao próximo, dedicação às coisas que faz. Isso tudo é educação. Um técnico que não pensa no atleta como homem-máquina, mas como um ser humano e em seu futuro como pessoa, poderá ajudar muito esse indivíduo.

As vezes, o esporte pode se transformar em anti-saúde, por causa do uso de drogas, anabolizantes ou mesmo por causa de treinamentos muito intensos e repetitivos. O que você acha disso?
Eu não posso afirmar nada sobre o uso de drogas ou doping no atletismo. Sei da minha realidade, que é baseada em treinamento. Muitos atletas no exterior são pegos em testes antidoping. Outra coisa são os treinamentos, que devem ser adequados, incluindo a utilização de suplementos alimentares, que só devem ser utilizados sob a orientação de médicos e nutricionistas.

Você está disputando uma das três vagas no salto em distância para a participação nos Jogos Olímpicos de Pequim? Como é seu treinamento?
Recentemente eu tive uma lesão e isso acabou me prejudicando. De qualquer maneira, tenho o objetivo de me recuperar a tempo de conseguir o índice para participar das próximas olimpíadas. Meu treinamento é dosado, para que aos poucos eu me recupere da lesão e volte a ter um bom desempenho. Para conseguir o índice, eu tenho de pular aproximadamente 8,20 m.

Qual é a perspectiva da delegação de atletismo do Brasil nessas olimpíadas?
Temos boas perspectivas no salto em distância. No salto triplo, temos o Jardel Gregório, que já é absoluto, e o Jefferson, que também fez o índice. Tem a Maurie e um grupo de atletas dos 100 m. As possibilidades são nessas provas, em outras ainda estamos muito atrás.

Há uma série de coisas acontecendo externas às olimpíadas, mas que tem influência sobre elas: o terremoto chinês, as manifestações a favor da independência do Tibet e o alto índice de poluição da cidade de Pequim. Essas coisas ou fatos influenciam os atletas ou a preparação dos atletas?
Tem sim. Há uma preocupação, pois esses fatos podem atingir os atletas em pleno desempenho esportivo, nas olimpíadas, como, por exemplo, o alto índice de poluição, que influencia diretamente o desempenho. Mas, agora, que todos buscam índice para participar das olimpíadas, isso é deixado de lado. O foco de atenção está voltado para a obtenção da marca necessária.

Além das olimpíadas, quais são seus futuros projetos na área esportiva?
Fui convidado a ser auxiliar técnico de atletismo na cidade de Boares. Devo ir para lá no final do ano. Vou competir e ensinar atletismo. Graças àfaculdade e ao esporte, abro mais essa porta na minha vida.

Que conselho você daria a uma criança que quer vir a ser um atleta de ponta?
Primeiro, estudar. Com a educação, você vai desenvolver a capacidade de fazer outras coisas. Essa habilidade ficaa para toda a vida. E com o esporte, você poderá ter uma vida saudável, independentemente de você se transformar em um atleta de alto nível. Se você se destacar, poderá ser um atleta de ponta, mas primeiro vem o homem.

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